terça-feira, 13 de outubro de 2009

A respeito do cuidado pessoal


Depois de se verem livres da opressão do faraó do Egito, depois da longa caminhada pelo deserto e antes da travessia do rio Jordão para tomar posse da terra prometida, o povo de Israel ouviu várias vezes a exortação de Deus pela boca de Moisés: “Tenha cuidado!”. O conselho não foi dado depois da ocupação do espaço prometido desde Abraão, Isaque e Jacó. Não foi dado depois de uma experiência desastrosa. Não foi dado tarde demais. O conselho foi dado na ocasião certa.

Cuidado de quê? Cuidado em que direção? Ora, a lei tinha acabado de ser escrita nas duas placas de pedra e de ser lida do alto do monte Sinai. Não eram disposições tirânicas de alguém que queria exibir autoridade e de ver todo mundo de joelhos na sua presença. Eram leis saudáveis para garantir o bom relacionamento entre a criatura e o Criador, como não adorar outros deuses, não materializar o culto nem profanar o nome santo de Deus (Êx 20.1-7).
Eram leis saudáveis para garantir o bem-estar do ser humano quanto ao equilíbrio entre trabalho e descanso (Êx 20.8-11). Eram leis saudáveis para garantir o bom relacionamento dos seres humanos no âmbito familiar entre pais e filhos, entre marido e mulher (Êx 20.12, 14). Eram leis saudáveis para garantir o bom relacionamento dos seres humanos dentro de uma sociedade mais ampla, formada de pessoas diferentes e mais distantes (Êx 20.13-17).

Era o cuidado com essas normas de comportamento que os descendentes de Abraão deveriam ter de antemão: “Povo de Israel, tenha o cuidado de cumprir a lei de Deus [...] e tudo correrá bem para vocês” (Dt 6.3, NTLH). Moisés volta a falar sobre o assunto em seguida: “Obedeçam cuidadosamente a “todos” os mandamentos e leis que ele lhes deu” (Dt 6.17). Todas as ordens deveriam ser levadas a sério, não só o “não mate”, o “não roube” e o “não adultere”, mas também o “não minta” e o “não faça imagens de escultura”.

Outro cuidado era com a graça de Deus: “Quando o Senhor os levar para essa terra [a terra da promissão] e vocês tiverem comida à vontade, tenham cuidado de não se esquecerem de Deus, que os tirou do Egito, onde vocês eram escravos” (Dt 6.12). A mesma ordem é dada com outras palavras: “Tomem cuidado para não ficarem orgulhosos e esquecerem o Senhor...” (Dt 8.14). Esquecidos da graça, do favor imerecido, o ser humano torna-se perigosamente convencido e autossuficiente.

O cuidado para não cair em pecado, para não se distanciar de Deus, para não esfriar na fé, para não perder Jesus de vista, para não abandonar o primeiro amor, para não descer a rampa da apostasia, para não se tornar dependente de vício, para não perder o ânimo — deve ser uma providência rigorosamente contínua. Está escrito: “Cuidado, irmãos, para que nenhum de vocês tenha coração incrédulo e perverso, que se afaste do Deus vivo” (Hb 3.12).


Ultimato, Jul-Ago 2009, p.12

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