sexta-feira, 9 de março de 2012

Explosões



Tantas convicções, alguma razão e muitas jóias perdidas. Minhas certezas agora configuradas, meu rosto embaçado e um violento mar dentro de mim.
Um mar em erupção.
Tanta coisa perdida aqui dentro, que uma só rede não dá pra pescar.
Perdi o que não tive, tenho o que não preciso, quero tudo que há. Perdas impalpáveis, versos não ditos, tudo muito abstrato pra quem delira em coisas reais.
O tempo corre e eu nem sei pra onde... Ele corre bem mais que minha insatisfação. Sabe-se que ele vai e eu tenho pressa. Em mim não resta tempo pra viver em vão.
Quero encontrar o que fui, o que sou e o que seria. E em face da atemporalidade desvendar alguns segredos, beijar a sensatez ou simplesmente regredir para um futuro menos quebrado. Já não sou a mesma, talvez jamais a seja, mas não serei o que sou.
Hoje quero o mar, e peço à chuva que me deixe ver o sol se pôr. Talvez encontre o sono, beba lucidez e discuta com a verdade, e ela ganhe. Talvez veja o paraíso, brinque com a loucura e finalmente abandone a solidão.
A razão mora em algum lugar. A casa é grande, baterei em todas as portas do meu ser. Enfrentarei esse mar de silêncio e caos.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Tudo novo de novo


Lembrar e ver que o caminho é um só. Lembrar, verbo ativo, claro e presente quase o tempo todo. Ver, verbo automático, busca já sem querer, apanhado de coisas para lembrar-se depois. O caminho, no fundo, é sempre um só: aquele que se escolhe, que fica bem parado ali na frente, olhando e esperando o primeiro passo. Mesmo que este passo já tenha sido dado em outras épocas, agora é outra hora, é um novo raiar do sol na janela. Assim são os começos e recomeços, sempre avisando que um fim ficou para trás. É aí que se sente um turbilhão de coisas, liquidificador de pensamentos.
Um belo dia, após uma boa noite de sono, com alguns breves episódios de insônia, abre-se a janela depois do sol bater. E por frações de segundo lembra-se que há só um caminho, então coloco meus óculos de realidade e vejo que não há porque esperar, o tempo é o agora mesmo. E o sol está aí, nascendo para todos. Cada um se abre e se fecha como acha mais interessante. Aí, neste misto de animação e medo de primeiro dia de aula, sente-se uma dor. Uma dor característica dos novatos, que a sentem por ter deixado algo e ter que começar outra coisa. Dor estranha. Que faz a gente chorar pelo que já se foi, e pelo há de vir. Dor de criança que chora e ri ao mesmo tempo depois de se machucar. Olhando o caminho com ansiedade e receio, mesmo sabendo que aquele é o seu caminho.
Por um minuto não há nada para dizer, é somente você e o seu caminho, sua imaginação, sua visão, e aquilo que se lembra da história da vida. Aquilo que está na lembrança, as chuvas, as pedras, as flores, os espinhos. A saudade, a entrega, a partida, o medo de ir. Aí aparece a questão: “Quem roubou nossa coragem?”. Ontem mesmo, sentada com meus amigos, poderia mudar o mundo. É o caminho que me faz querer parar? É o caminho que exerce em mim atração e repulsa ao mesmo tempo. Que me faz lembrar daquilo que já fui um dia no porta-retratos. O caminho que me lembra da dor, aquela que eu quero evitar. Mas, “excluindo-a”, faço exatamente o contrário: trago-a ao meu encontro, seja hoje ou amanhã.
E a dor do arrepender-se por não ter feito algo é tão subjetiva quanto física. A dor dos que retrocedem é angustia prevista, a qual eu não quero carregar, e por isso, ainda parada na janela com o sol me esquentando e dando luz, eu decido caminhar pelo novo caminho. Encarando o que vem pela frente, mas agora vivendo um dia após o outro e tentando evitar coisas demais, bagagens demais, pensamentos demais. A experiência tem que servir para alguma coisa.
E nesta “linha de trem” eu vou. Carregando uma foto dos que amo, um bocado de sonhos e papel e caneta para me lembrar do gosto bom daquilo que tenho nas mãos. Para que quando eu me esqueça de quem eu sou e para onde eu vou, eu possa parar na beirada e desenhar com as palavras aquilo que tenho. Poucas coisas, mas preciosas. Preparando-me para os doces desastres e as inconsoláveis alegrias. Falando comigo mesma em alto e bom som, quando os pensamentos não assumirem esta função, dizendo para mim mesma que vai dar tudo certo.
Porque ainda que tudo pareça loucura, nem haja aparentemente sentido em tudo que eu esteja fazendo; mesmo sem haver reconhecimento, dinheiro ou beleza; ainda que o produto da minha fé venha a se desfalecer pelo caminho, e pareça que está tudo perdido e seco; eu me alegro no Senhor, o Deus que me amou desde o princípio, me deu salvação e tem me livrado de toda condenação. O Senhor Deus é minha fortaleza, e faz meus olhos procurarem os Seus. Por isso ando mais alto ao Teu encontro.

Não sigo por uma rodovia, que aos olhos de muitos é mais bonita, mais confortável, mais uniforme, mais precisa e por onde seguem aqueles que estão certos do seu destino, com as coisas “sob controle”, guiados por uma sinalização clara.
Na minha vida hoje há uma trilha de terra batida, aquela que está ali, logo à frente da janela. O seu “começar” é bem diferente: é preciso levantar mais cedo e renunciar a algumas coisas. O meio de transporte são seus pés, logo a trajetória poderá ser lenta. O caminho é desigual. Possui altos e baixos, buracos e ainda alguns atalhos. Nela, você só reconhece o começo, não sabe se há placas, mas pode reconhecer as estações do ano. Ela não é bonita aos olhos humanos e requer preparo físico, paciência, e perseverança.
É necessário ter fé e esperança, tanto no hoje quanto no amanhã. Caminhando com uma expectativa no coração, um motor, uma curiosidade angustiante de saber e crer. Esta estrada de terra de percurso trabalhoso gera um surpreendente entusiasmo no coração, dando a sensação de superação e acolhimento. Por isso eu vou nesse caminho, porque fui escolhida para Ele e por Ele.
________
Priscila Souza

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Tempo de Deus

Quantas dúvidas invadem nosso coração quando o assunto é esse. E como é difícil nos submetermos a ele! Nossas pernas insistem em correr, nossos braços teimam em lutar, nossa mente se recusa a descansar, nosso coração se debate e convulsiona em crises profundas, solitárias e confusas. 

Deus! Aquieta-nos! Mais que isso, Senhor, transforma-nos.
 

Dá-nos pernas que se movimentem em passos ligeiros ao encontro do Senhor e da tua doce presença. Controla nossa mente e inunda-a com tuas promessas, teus feitos, teu caráter irrepreensível. Dá-nos coração sensível e confiante, moldado pelo fogo ardente do teu amor sacrifical, amor que já ardia por nós quando nem ao menos existíamos.
 
Refrigera nossa alma com teu descanso incomparável. Socorre-nos em nossa fragilidade e ajuda-nos a esperar pela tua provisão, que, como o maná, vem sempre no tempo apropriado.

Ajuda-nos a crer que continuas o mesmo, agindo sempre no tempo certo, sem nunca se atrasar, mesmo quando nossos olhos enxergam uma realidade que parece contradizer essa verdade.


Revista Ultimato

domingo, 18 de dezembro de 2011

Mamom

Não se conforme com esse sistema
Renove a sua mente, lute, não se renda
Os homens já não vivem mais sem o consumismo
Todo mundo quer de tudo que vê anunciar


A moda agora é comprar, comprar, comprar, comprar


Isso não é conforto
Não é tecnologia
Isso é idolatria ao deus materialista


Mamom capitalista
Deus materialista
Mamom capitalista
Vida materialista


A marca da besta já chegou...


Letra e música: ENXERTO

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

.

Cadê o sentido disso tudo? Eu não acredito mais nas pessoas... ou elas se reconstruíram de uma forma tão egoísta e vazia que não me alucina mais.
Hoje quero chorar, e alimentar as palavras que não foram ditas, como também as que o silêncio devorou. Imaginar como seria se eu não fosse eu; como seria seguir pelo outro caminho, e seus atalhos.
O ideal foi derrubado, eis aqui o caminho da destruição e reconstrução.
O que tá podre preciso jogar fora; o que prende precisa ser desatado.
Ou simplesmente preciso me lançar ao mar.
Deus, me socorra pois não tenho respostas. Eu só tenho você.

E vem tua voz, que sempre me lembra que preciso honrar o que foi posto em meu coração.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Toda essa artificialidade me sufoca.

Os tempos tem sido mesmo difíceis. Manter os olhos na esperança em meio a tanta fumaça não tá fácil. Tá ruim de enxergar os olhares sinceros e os corações simples.
As pessoas verdadeiras estão em extinção. Confiar em outro alguém tem sido como caminhar a beira de um abismo. Um grande abismo. De insegurança, desconfiança e infidelidade. Todas batidas, impetuosamente.
Antes a palavra de um homem valia mais que um documento. Hoje ninguém sequer acredita em si. Não sabem o que querem amanhã, nem daqui a 10 minutos. Imagine levar o outro à sério, ou se importar de fato. 

To triste com tudo ao meu redor. As pessoas se tornaram monstros. Monstros bizarros que perderam até a fé em si. E isso tem contaminado geral. Não quero me contaminar, mas tem sido difícil encontrar vacina.
Não me julgo boa, muito menos santa. Erro todo dia, com todos. Mas não me venha com falsidades, não me venha passar mão na cabeça pra ter minha amizade, não venha me dizer que estou certa, ou o que quero só pra me agradar; POIS eu nunca farei isso contigo. Fui vacinada contra falsidade. Cobro isso de mim mais do que imaginas...
Quero só os amigos que protegeria de qualquer forma. Sem farsas, sem medo e baseada na verdade de que ninguém é perfeito, e que a razão não é de seu ninguém.

Boto fé em pessoas que levam as "coisas" boas e verdadeiras à sério; já o contrário, tem me causado náuseas. Tá difícil sobreviver. Tá difícil respirar com tanta sujeira.

Sinto muito. Não sou condicional. E não gostaria que você fosse.
Qualquer que seja o momento só falarei o que te diria cara a cara. O filtro entre o que se pensa, se fala e se publica me é válido em todo lugar.
Não quero mais me enganar...

Amigos eu não conto nos dedos. Eu reconheço no olhar.

Agradecimentos:
*Facebook, por me mostrar quem as pessoas realmente são. Em sua essência e maior parte do tempo. Obrigada por me lembrar que tá quase tudo perdido. E que só tem UMA saída.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011


Jesus desafiava constantemente a noção – pelo menos tão enraizada nos seus dias quanto nos nossos – de que simplesmente abster-se de descumprir os mandamentos era coisa capaz de garantir alguma recompensa ou de habilitar o adorador a exigi-la de Deus. Não contente em negar o conforto das listas de regras e proibições, o Filho do Homem insistia que na perspectiva divina nenhuma obediência tem recompensa ou a merece.
     Na verdade, Jesus sugeriu mais de uma vez que a sensação de superioridade moral que acompanha uma vida de obediência estrita aos mandamentos é, em si mesma, a única recompensa que um religioso/carola deve esperar receber pela sua conduta.
     Quem rege sua postura pela obediência aos mandamentos, insistia Jesus, não faz nada de mais e nada deve esperar em troca. A imitação de Deus requer uma bondade assertiva e uma generosidade vivida, não uma vida de recuos, desvios e melindres. Como ilustração espetacular desse modo de ver as coisas, em seu último discurso no evangelho de Mateus o Filho do Homem ousa condenar ao inferno não os pecadores que rebaixaram-se a fazer o mal, mas os religiosos que deixaram de fazer o bem.
     Ao sugerir que seu Pai não recompensava a obediência, mas esperava uma gentileza assertiva mais do que uma obediência neurótica a regulamentos, Jesus requereu uma profunda e intransigente ressignificação da imagem que os homens faziam (e aindatendem a fazer) de Deus. Não é de se admirar que poucas gerações de convertidos depois os cristãos já tivessem revertido à imagem tradicional da divindade, aquele que aceita os bons e rejeita os desobedientes.
     Jesus, patrono da maturidade, perguntava a seus discípulos porque eles não discerniam por si mesmos o que era correto, e ensinava que as prostitutas chegam ao céu antes dos religiosos. Hoje em dia as igrejas, patrocinando a imaturidade, explicam que a Bíblia é uma norma inflexível de conduta, e ousam dizer a gente adulta, capaz de ler os evangelhos por si mesma, que criança boazinha é que vai para o céu.

Paulo Brabo

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Silêncio

De repente, um silêncio tão bem dito que não entendi mais nada. Ao contrário de outros, alguns silêncios apagam a luz.

Bendita seja a claridade das palavras também quando permitem que dúvidas sejam dissolvidas. Que equívocos não sejam alimentados. Que distâncias não cresçam. Que a confiança prevaleça. Que o afeto não se torne encabulado.
Bendita seja a claridade das palavras também quando ficamos no escuro da incompreensão, tateando as paredes deste cômodo pouco ventilado à procura de um interruptor qualquer que acenda o nosso entendimento.

Bendita seja a claridade das palavras também quando aproximam, em vez de afastar. Quando nos possibilitam o conforto da verdade, mesmo que ela desconforte. Quando simplesmente queremos saber o que está acontecendo com as pessoas que amamos simplesmente porque amamos.

Bendita seja a claridade das palavras quando ditas com o coração. Ele sabe como acender a luz.

Ana Jácomo

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

É Proibido

... É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade.

É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dívidas e mau-humor.

É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.

É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,
Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.

É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,
Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.

É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso,
Só porque seus caminhos se desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com o seu presente.

É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.

É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.

É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.
Pablo Neruda

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

[Trecho] Novo Testamento: a supremacia (e o caráter subversivo) do amor

A mensagem de Jesus e sua boa nova são interpretadas por todos eles como representando um chamado universal ao abandono dos mecanismos de controle e manipulação que compõem o sistema deste mundo.         


Muito acuradamente, portanto, os autores do Novo Testamento entenderam que a implantação do reino de Deus, conforme apregoado pelo filho do carpinteiro, representava uma ameaça a todos os sistemas de controle, porque requeria essencialmente um mundo de pares e irmãos, uma fraternidade de “próximos” – um mundo que renunciasse a todas as formas de dominação.


Isso eles viram claramente na pessoa do Jesus dos evangelhos, e cada um à sua maneira e com sua própria ênfase buscou uma forma de articular e de perseguir esse projeto. Ninguém sabia (ninguém ainda sabe) como seria um mundo livre de sistemas de manipulação, mas nas décadas febris que se seguiram à despedida do crucificado seus seguidores não sonharam e não batalharam por outra coisa. A única coisa que sabiam ao certo é esse novo mundo seria encontrado, colonizado e definido pelo amor – o amor como haviam-no delineado a vida e as palavras do rabi de Nazaré, o amor com o qual ele os deixara absolutamente inflamados.

E nada permanece o mesmo depois de ser tocado pelo amor. 

Paulo Brabo